quarta-feira, 25 de julho de 2012

Pedras

Eu tento ser, eu tento seguir
Mas há tantas barreiras no caminho...
Sempre há uma praça ou uma rua
Me trazendo a amarga lembrança

Me deixe ir
Me deixe viver
Eu simplesmente não consigo
Seguir em frente

Trago flores mortas
Ao enterro de alguém
Não vai fazer diferença
Todos partiram, eu fiquei

Me deixe seguir
Me deixe em paz
Eu não consigo
Sentir o amor

Subornando o tempo
Eu pago, ele corre
Me sinto preso, triste
Os dias não têm sentido

Me deixe livre
Me deixe correr
Eu simplesmente não consigo
Te olhar e não chorar.



terça-feira, 24 de julho de 2012

Vinte e Três

Utilizei metade da minha ironia
E quase toda minha boa vontade
Música, a essência doce perfumada
São 23 anos, tão lentos e frios.

Apesar de toda rotina
Foi estranho quando lá cheguei
Naquela noite de inverno
E você não estava lá.

Brincando em frente de casa a tarde
Surge uma sombra estranha no portão
Era apenas um velhinho
Me olhando com olhos de saudade

Secos, sujos, imundos
Esses pensamentos sobre a vida
Nunca me deixam dormir
E toda noite me embriagam.

Pare de reclamar, seu crianção.



segunda-feira, 11 de junho de 2012

Nostalgia

Olhe quantas coisas engraçadas fizemos
Quantos anos se passaram?
Três, dois, não sei direito
Tudo ao nosso redor parecia pequeno
Todos nossos gestos e amigos eram simples
Mas a grandeza das coisas está na lembrança
E dos bons momentos com eles
Corremos tanto desse passado
Ele me assombra, confesso
Amargas lembranças
Porém, relembrar não é sofrer
O que havia de ser sofrido já o foi
Dizer que vai levantar a cabeça e seguir
É utópico, porém sempre tentamos
Viver da melhor maneira
Eu tento, sabe, seguir
Ao meu redor, pessoas maravilhosas
Bem mais do que eu poderia sonhar, na verdade
Música, bebidas, vêm me saudar nesse momento
Eu as recebo de braços abertos
Como um pai recebe seus filhos
Depois de um longo dia cansativo




quarta-feira, 23 de maio de 2012

Vida

Ao derramar de 355 ml
Aos vários goles
Ao cigarro tragado
A aula que não prestei atenção
Aos amigos, primeiros da lista
As lamentações que não levam a nada
Ao dia em que te conheci
A maneira como isso aconteceu
A música, ao sexo
Aos ternos abraços e beijos
As noites escuras 
Ao ladrão de carteiras
Ao emprego fracassado
Ao egoísmo de minha parte
As pessoas magoadas
As pessoas felizes
Ao carteiro, ao padeiro
A minha maior perda
Foi não ter vivido.












Sem música.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Imagem

Você me olha e eu penso
Você poderia ser minha garota
Mas não existem momentos
Para podermos nos conhecer melhor
E assim os dias passam
E isso corrói, e me destrói
Um dia decidi falar
Mas minha face estava destruída
Quando me olhei no espelho, pude ver
A desgraça que o tempo e o frio causaram em mim

Nove de Maio

Me sinto quebrado
Como um prato que cai no chão
Ferido por guerras e palavras
Proferidos por pessoas vãs

Entrando cada vez mais em você
Leio sua mente e fico com medo
Nunca tinha visto tantas mentiras e solidão
Você vai ter que remover tudo isso

Eu sou seu escravo
Você me prendeu com correntes
Paixão, ódio e fúria
Estou submisso e você sabe disso

Fui empurrado para dentro do abismo
Havia um velho e duvidei de sua força
Não tive forças suficientes
Me perdoe, sou humano

Criamos esperança sem fundamento
Entramos em toda essa crise sentimental
Perdemos sangue e vida nessa guerra
Erramos ao achar que tudo era fácil



P.S.


Andava por aqui sozinho

Olhando a toda volta

Eu não conseguia sentir

As coisas ao meu redor

Era cego, batia nas coisas

Caí em um buraco

Alguém veio me ajudar

Não pude ver seu rosto

Mas seu perfume era ótimo

E seu toque macio

Me senti criança de novo

Ela me ajudou a caminhar

E me guiou pelas ruas

Ela está sempre comigo

Mas nunca vi seu rosto


terça-feira, 1 de maio de 2012

Get Up

Olhe ao seu redor
Há pessoas maravilhosas
Não caia por um amor
Tente um novo sabor
Pensamos coisas as vezes
Que não deviam estar em nossas cabeças
Caímos num abismo sem motivo
Esquecemos quem somos
Entramos em uma solidão inexplicável
Pense sobre tudo
Levante-se e limpe a poeira de suas roupas
Tem um mundo aí fora
E você precisa estar inteiro para encará-lo.




domingo, 29 de abril de 2012

D - E - A - F#

Em meio a toda essa chuva
Consigo sentir todo calor
Que vem da minha mente
Reprimindo todo frio

Chuva no telhado e no meu cérebro
Virando um turbilhão de pensamentos
Minhas idéias derramam
Inundando todo meu quarto

Eu tentei ser perfeito
Eu queria tudo perfeito
Mas tropecei no caminho
E perdi uns 10 anos

Sentindo os pingos gelados
Percebendo todos movimentos
Da água ao meu redor
E minha vida indo pro ralo


Domingo no quarto

Nunca encontrei alguém
Que se jogasse como você fez
Mergulhou de cabeça em mim
Me fez completo, me realizou

Busco sempre algo
Pra preencher
O buraco na minha alma
O que encontro são pedaços
Pequenos demais para preenchê-lo

Carros correndo, vidas em jogo
Na grande roleta russa da vida
Estou lá no meio
E corro pra valer


Karyni

Diga-me como se sente
Traída? Usada?
Diga-me como se sente
Abandonada? Arrependida?

Vivemos nessa escada rolante baby
Não adianta subir na direção contrária
Por mais que você tente lutar
Uma hora vai subir ou descer

Me acompanhe, vamos subir
Lá em cima tem bebidas e coisas felizes
Quero te mostrar os prazeres da vida
Não tenha medo, se jogue.




quinta-feira, 26 de abril de 2012

Solidão

Acho que esse não é mais meu lugar
Na verdade acho que ele não existe
Todas estradas sempre parecem ter um fim
E eu nem cheguei a me cansar
Encontrei um dia um velho
Barba branca, curvado pelo tempo
Dizia ele que sempre viveu correndo
Fiquei com medo, não quero acabar desse jeito
Corda bamba todos os dias me enjoa
Quero encontrar minha alma
E juntar ao meu corpo
Para enfim sentir prazer
Com amor, dor, paixão
Viver intensamente todos os dias
Como se fosse o último suspiro
Beber, comer e respirar cada momento
Mostrar-me a todos com um sorriso.

domingo, 22 de abril de 2012

Tédio em sala de aula

Tudo calmo, 6 da manhã
Coloco meu chinelo e faço um café
Acendo um cigarro, observo o tempo
Está frio, nublado, tempo perfeito

Caneta, lápis, café, mente vazia
Meu primeiro desenho é um palhaço triste
Sentado na sarjeta, maquiagem borrada
Roupas que um dia foram coloridas, manchadas

Ninguém o vê, ninguém se lembra
Do quanto ele alegrou suas inúteis vidas
Hoje ele está largado mas ninguém se importa
Afinal, com o que você se preocupa
Além de você mesmo?


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Não é o rosto bonitinho na multidão

Vamos acreditar mais em nós mesmos
Vamos lutar pela porra da liberdade
Vamos correr atrás dos nossos sonhos e desejos
Nem que alguém diga que não vamos conseguir.

Ontem eu sonhava em estar liberto
Hoje olho ao meu redor e percebo
O quanto cada vez mais me prendo a mim mesmo
E o quanto não estou lutando para sair dessas algemas

Momentos de sol e chuva
Tristeza, alegria, nostalgia
Quero levantar todos os dias e conseguir sorrir
Quero fazer algo que eu goste e que faça diferença

Terça-feira, e as coisas ruins continuam.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Leveza do ser

Correndo atrás da própria sombra
Cortando os pés nessa estrada de espinhos
Logo ali tem um rio, vou poder nadar
E mergulhar em profundo desprezo
Pensando que isso será um alívio

Longe, longe, sinto tudo isso
É quase uma sintonia perfeita
Gerando raios imensos de ódio sobre nós

Garrafa de whisky barato na mesa,
Violão jogado na cama
Fios, lixo, roupas
Copos sujos, livros, café

Vou até a cobertura do prédio
Tiro toda minha roupa
E me jogo no ar, são 35 andares
Só assim posso dizer
Que estou realmente livre,
Nem que seja até atingir o solo.

Pode me dizer o que vem depois?

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Uma pequena pitada de sal

     Dois anos que se passaram em 2 dias. Lembro como se fosse uma filme que estivesse passando aqui na minha frente, agora. Começamos escondidos, uma noite na taberna real, você usou a desculpa que tinha bebido muito vinho, mas eu gostei muito.
     Um mês depois, lá estava eu, de frente com a rainha e o rei, pedindo a mão da princesa em namoro. Eu tinha a impressão de que a rainha era uma bruxa má, mas todo esse conceito se desfez a minha volta, evaporou. A mulher me provou que era o sonho de qualquer genro, me convidava para as festas da corte e da família real, me apresentando a todos os conhecidos do reino.
     Aquele foi um ano ótimo. Em pleno inverno, eu sempre chegava dos treinos de guerra muito tarde, porém, mesmo sempre cansado e machucado, atravessava a floresta, descia as campinas baixas para chegar ao castelo, e te abraçar, te beijar...
     Hoje, depois de toda dor e tortura sofrida nos campos de batalha, vendo companheiros mortos e sentindo todos os tipos de dores inimagináveis, ainda consigo me lembrar de seu rosto claramente, do toque das suas mãos, do perfume do seu cabelo, se aproximando lenta e suavemente de mim...
     As vezes, em meio a planos e planos de batalha tramados entre os capitães, no meio de palavras como "lança", "cavalos", "espadas", "adagas", "tocaias", "pântanos", e todo tipo de parafernalha de guerra, fico perdido em meio a pensamentos, imaginando onde você poderia estar naquele exato momento, e fico em dúvidas, depois de tanto tempo separados, se ainda existe algo entre nós.
     Mas eu lhe prometo, não sei se você chegou a ler as outras cartas que lhe escrevi, mas até o próximo inverno a promessa dos generais é que a guerra finalmente abrande, e teremos tempo para ficar juntos. Rezo por isso todos os dias, porque o inverno é duro por esses lados, e o melhor lugar para se passar um tempo desses é ao seu lado, junto a cobertores de lã, e um belo odre de vinho.
     Espero que esteja pensando em mim, pois penso em você todos os dias. Cada inimigo em que passo a espada penso que é mais um passo para o fim dessa maldita guerra, que nunca parece ter fim, mas quando voltar, espero ter meu espaço em sua vida ainda vazio, para enfim completá-lo.

Abraços e carinhos,
R.T. Ross

domingo, 1 de abril de 2012

E lá se vai todas as verdades ou mentiras...

...eu realmente não preciso ver o amanhã
 Eu simplesmente não preciso provar nada a ninguém
Procurar um ideal quase no final
E desesperadamente, temos que fugir
Se estava certo ou errado, tanto faz

Olhe para o meu semblante
Acho que não mudei muito desde a última vez
Surrealismo, essa é a palavra certa
Pra definir os últimos dias
Um misto de sons, imagens
Pessoas que eu mal conheço o nome me chamando pelo meu
E me pedindo favores que eu só concederia aos meus melhores amigos

Portas se abrem, se fecham, e nenhuma luz vem me acender


sábado, 31 de março de 2012

Vida louca, vida breve

Redação.

Despertador, água, rosto, toalha, escova, creme dental. Cozinha, água, quarto, chaves, chaves, maço de cigarros, carteira. Rua, controle, portão, carro. Rua, cigarro, fósforo, óculos. Relógio, palavrões, ameaças. Estacionamento, departamento, computador. Planilhas, telefone, planilhas, banheiro, planilhas, água, planilhas, almoço. Carro, óculos, cigarro, fósforo. Restaurante, carro, óculos, cigarro, fósforo. Estacionamento, departamento, planilhas, telefone, planilhas, e-mail, planilhas, estacionamento, carro, cigarro, fósforo, banheiro. Planilhas, planilhas, planilhas. Estacionamento, carro, cigarro, fósforo, trânsito. Casa, quarto, banho, roupa, carro, cigarro, fósforo. Colégio, aula, aula, música, aula, cigarro, fósforo, música, aula, aula. Carro, cigarro, fósforo, casa. Jantar, lavagem cerebral, cama.
E inicia de novo.

sábado, 10 de março de 2012

Nos perderemos entre monstros da nossa própria criação

Porque você fala e nós discutimos?
Porque você chora e nós rimos?
Porque você come e eu vomito?

Na verdade uma planta venenosa
Só porque tem a intenção de amar
Não vai mudar o fato de possuir veneno

Sábado, com apenas 10 horas de duração
A madrugada foi extensa, intensa, tensa
O nascer do sol foi um alívio
Carros, fumaça, pessoas correndo nuas pelas ruas
Melhor que isso, só um estádio lotado

Tecnologia acabando com o romantismo
Óculos escuros de uma grande marca
Deixando as pessoas cegas pra tudo
Quem nos dera uma infância novamente...

E tem gente que me acha legal (ou não)

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dia chuvoso

É facil maquiar as coisas quando você gosta de alguém
Tudo é casual, descartável
Uma palavra, um gesto
Podem ser doados sem nenhum sentimento
Mas no final não terão valor algum

Mesa de sinuca no final do corredor sinistro
Cadeiras giratórias, cerveja na mesa
Sinta como eu me sinto bem
Você tem inveja? Não sei
Infelizmente, eu não posso fazer mais nada

Qualquer coisa, já sabe,
A janela do quarto está aberta,
Só cuidado com o cachorro

Ratos no porão, morcegos no sótão
Fazendo o maior barulho
Carros correndo pela cidade
Vejo a vida de vocês passando na minha frente
Tão rápidas quanto uma flecha

Velhos amigos ressurgindo, ou não
Como senti sua falta...
Tudo está passando tão depressa
Que quando você se der conta de tudo
Vão ter pessoas te chamando de avô.

Dive in me.